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Crack, Cigarros e a chegada de Gary

"Jornalistas são revolucionários, e não deixem que te digam o contrário”


Por George Sanchez

3 de março 2003

O premiado jornalista investigativo Gary Webb, autor de Dark Alliance (A aliança escura), se une à equipe do Narco News. O bolsista parcial da Escola de Jornalismo Autêntico, e aluno de Webb, George Sanchez nos apresenta o renomado jornalista.

Provavelmente já ouviram os rumores – de que a CIA distribuía crack de cocaína no Centro Sul de Los Angeles. Na primeira vez que escutaram isso, provavelmente deixaram passar, como se fosse uma teoria conspiratória ridícula alimentada por algum hippie louco fabricante de LSD no porão. Mas, gostem ou não, isto é parte do imaginário popular nos Estados Unidos. E há um homem a agradecer: Gary Webb.

Al Giordano o apresenta como sendo o “Comeback Kid” (garoto do retorno) do Jornalismo Autêntico. Na “redação” do Narco News, ele é carinhosamente conhecido como “Mestre Dois”. As jornalistas autênticas brasileiras o apelidaram de Homem Marlboro do Jornalismo Autêntico. Luis Goméz afirma que ele é o mais importante jornalista investigativo vivo. Contudo, quando se apresentou a mim, era somente Gary.


Gary Webb fala à Escola de
Jornalismo Autêntico do Narco News
Foto D.R. Jeremy Bigwood 2003
Com pouco mais de 1,80m, ele tem uma aparência comum. Fuma mais Marlboros que o esperado de um jornalista investigativo dos Estados Unidos e sua pele clara, seu cabelo castanho claro e seu bigode bem aparado tornam difícil distinguí-lo dos outros gringos. E isto não é um problema, porque Gary Webb se considera nada mais que um homem comum.

Sua série de reportagens investigativas em três partes para o San Jose Mercury News, em 1996, foi, para dizer de forma leve, explosiva. Durante um ano, Webb seguiu uma trilha que eventualmente o levaria às raízes da epidemia de crack que mutilou a comunidade afro-americana nos Estados Unidos. Procurando entre o esterco e a lama, Webb se manteve nisso. E com cada desdobramento mais escandaloso que a último, Webb finalmente trouxe à luz a verdade que havia sido mantida em segredo por mais de uma década e que poderia ter destruído a presidência de Ronald Reagan.

Quando Webb e o jornal San Jose Mercury News levaram à luz “Dark Alliance”, ainda surgiram alguns desdobramentos inesperados.

Dark Alliance,” afirmou a revista HotWired, “está fazendo história digital e midiática. O Mercury News está demonstrando talvez pela primeira vez, como a Internet e a imprensa tradicional podem fundir-se com bons efeitos – e que ainda há chance de romper os instintos provincianos dos meios e devolver algum poder aos jornalistas de fora do eixo Washington e Nova York…”

Os elogios de várias organizações de meios de comunicação se amontoaram, assim como da deputada Maxine Walters; e enquanto isso, as comunidades afro-americanas de Oakland e Los Angeles abriram processos contra o governo e o Senado estabeleceu uma comissão de inquérito para investigar a questão. Mas não se esqueça do contra-golpe. O Washington Post, o New York Times e o Los Angeles Times foram todos à ofensiva, protegendo-se ao desacreditarem a reportagem de Webb e engolindo a versão da CIA de que não havia conexão alguma entre a agência, os Contra e o crack, muito menos qualquer conhecimento sobre esta relação. Com isso, o editor-chefe do San Jose Mercury News, Jerry Ceppos, retirou seu apoio à Webb em uma carta aberta aos leitores quase um ano após o início da polêmica.

“Acredito que não estivemos tão presentes em todas as etapas do nosso processo, na escrita, edição e produção do nosso trabalho,” escreveu Ceppos. “Simplificamos de forma exagerada a complexa estrutura de como a epidemia de crack cresceu nos Estados Unidos.”

Ao fim do tumultuado ano que se seguiu à revelação de sua investigação, Webb desistiu do jornalismo. Ao menos é o que diz. Em um ano Webb começou a trabalhar como consultor para a Força-tarefa da Legislatura contra o descuido governamental no estado da Califórnia, fazendo basicamente o que fazia antes: revirando entre a burocracia e reportando sobre os erros do governo. Isto enquanto recolhia uma enormidade de prêmios pela sua reportagem investigativa que culminou na série “Dark Alliance”.

Mas na noite em que conheci Gary Webb, nada isso era o tema. O céu ia de um azul do oceano perfeito à escuridão da noite mexicana. O brilho dos prédios brancos de concreto flutuava como um espectro sob a luz da lua. As ruas estavam quase vazias e as vozes dos Cafés e bares da vizinhança foram se acalmando. Os sons mais altos eram os do atrito de tênis na quadra de basquete no meio desta cidadezinha costeira da Península de Yucatán.

Webb estava sentado na fileira de cima das arquibancadas de concreto, tomando sua Negra Modelo em pequenos goles, tragando seu cigarro e assistindo o jogo. Mal notou minha aproximação. Embora não fossemos as únicas almas vendo o jogo, parecia que éramos os únicos do nosso grupo de Jornalistas Autênticos intrigados pela novidade de uma partida de basquete neste lugar.

Sob o contraste duro do manto noturno e do brilho das luzes da quadra, rimos de suas primeiras experiências como repórter, tirando do sério o prefeito Willie Brown, e da dependência dos norte-americanos de Jon Stuart e do Daily Show para manterem-se informados. Quando a partida chegou ao fim e a quadra se esvaziou, nosso primeiro encontro também chegou ao fim, com nossa ida a rumos separados.

Durante os nove dias seguintes, contudo, nos falamos de vez em quando.

Em uma de suas apresentações à escola, Webb compartilhou com os 27 Autênticos uma história de sua carreira, onde ele teve que entrevistar uma noiva e sua mãe logo após o noivo ter sido esfaqueado na noite da despedida de solteiro. Sob a pressão de seu editor, Webb disse que cumprir o prazo de entrega desta história foi “muito difícil”, entre muitos. Webb relatou como chorava enquanto escrevia a notícia. Mas a terminou e nunca se esqueceu da experiência.

Como meu conselheiro durante a Escola de Jornalismo Autêntico do Narco News, recorri a ele para perguntas e idéias para as matérias que me tinham sido assinaladas. Mas ele recebia perguntas de outros estudantes também. Desde acessar documentos governamentais da era Reagan até dicas de investigação, Webb estava disponível, fosse para fumar cigarros no terraço do hotel ou para rirmos juntos na noite final do nosso encontro.

É raro encontrar um repórter como Gary Webb, mais ainda um editor como ele.

Quando chegou a hora de nossa Escola de Jornalismo Autêntico dispersar para todos os cantos do hemisfério Ocidental, Gary Webb deu um passo adiante para um último conselho. Afligido pela apresentação pessimista de Jules Siegel e sua conclusão de que os jornalistas não são revolucionários, Webb deu aos estudantes sua visão sobre o ofício do jornalismo.

“Jornalistas são revolucionários, e não deixem que te digam o contrário”, disse Webb ao grupo. “Vocês têm que lutar para mudar o mundo”, completou.

Gary Webb é tão autêntico quanto é possível. É um repórter aberto a qualquer coisa. E por que não? Qualquer coisa pode levar a alguma coisa e esta pode ser grande – e mesmo que não seja, é ao menos outra história.

Para um repórter, guardar a memória de uma pequena matéria, das mais comuns, sobre a morte trágica de uma homem desconhecido, é um sinal de algo. É a prova de que há um coração nesta indústria tão fria. É a marca de um repórter que carrega consigo um pouco de cada história e que deixa em cada fonte um pouco de si. É a primeira imagem de um repórter que trabalharia por anos em uma história que tinha potencial de destruir sua carreira enquanto expusesse a corrupção moral do governo dos Estados Unidos, e sem nenhuma vez se afastar dela.

Uma geração de jornalistas norte-americanos antes da minha cresceu à sombra de Carl Bernstein e Bob Woodward – provando que o jornalismo pode mudar o mundo. Dando os primeiros passos que culminaram na retirada do ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon da Casa Branca, eles fizeram com que fosse lembrado que os jornalistas não são meros observadores, mas parte ativa da remodelação da sociedade.

A minha geração não tem o mesmo exemplo óbvio que a geração anterior tinha. Mas temos nossos poréns. E Gary Webb é um deles.

Na noite passada, meu melhor amigo perguntou se eu acreditava no que era dito em “Dark Alliance.”

Tão completo como é, e contando com todo o detalhismo de Webb, como eu poderia não acreditar?

E estes rumores que você pode ter escutado, bem, olhe mais de perto e pode ser que descubra que há mais que digressões irresponsáveis e conspirativas da esquerda.

Não chamem de retorno, amigos, ele tem estado aqui há anos.

Ladies and gentlemen, apresento-lhes o senhor Gary Webb.

Full Disclosure: The author wishes to acknowledge the material assistance, encouragement, and guidance, of The Narco News Bulletin, The Narco News School of Authentic Journalism, publisher Al Giordano and the rest of the faculty, and of the Tides Foundation. Narco News is a co-sponsor and funder of the international drug legalization summit, “OUT FROM THE SHADOWS: Ending Prohibition in the 21st Century,” in Mérida, Yucatán, and is wholly responsible for the School of Authentic Journalism whose philosophy and methodology were employed in the creation of this report. The writing, the opinions expressed, and the conclusions reached, if any, are solely those of the author.

Apertura total: El autor desea reconocer la asistencia material, el ánimo y la guía de The Narco News Bulletin, La Escuela de Narco News de Periodismo Auténtico, su Director General Al Giordano y el resto del profesorado, y de la Fundación Tides. Narco News es copatrocinador y financiador del encuentro internacional sobre legalización de las drogas “Saliendo de las sombras: terminando con la prohibición a las drogas en el siglo XXI” en Mérida, Yucatán, y es completamente responsable por la Escuela de Periodismo Auténtico, cuya filosofía y metodología fueron empleadas en la elaboración de esta nota. La escritura, las opiniones expresadas y las conclusiones alcanzadas, si las hay, son de exclusiva responsabilidad del autor

Abertura Total: O autor deseja reconhecer o material de apoio, o propósito e o guia do Boletim Narco News. a Escola de Jornalismo Autêntico, o editor Al Giordano, o restante de professores e a Fundaçáo Tides. Narco News é co-patrocinador e financiador do encontro sobre a legalizaçao das drogas Saindo das Sombras: terminando com a proibiçao das drogas no século XXI em Mérida, Yucatan, e é completamente responsável pela Escola de Jornalismo Autêntico, cuja filosofia e metodologia foram implantadas na elaboraçao desta reportagem. O texto, as opinioes expressadas e as conclusoes alcançadas, se houver, sao de responsabilidade do autor.

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