The Narco News Bulletin

October 25, 2014 | Issue #43  
 narconews.com - Reporting on the Drug War and Democracy from Latin America
  

Marcos detalha as etapas seguintes da Outra Campanha

Dois comandantes indígenas viajarão para viver em cada estado; depois, "viajaremos a todas as partes dos Estados Unidos e Canadá"

Por Simon Fitzgerald
O outro Jornalismo com a Outra Campanha na Baixa Califórnia

21 de outubro 2006
Esse artigo foi publicado originalmente na Internet em http://www.narconews.com/artigo.php3?ArtigoID=2200

Na noite da Quinta-feira, 19 de outubro, ao final de dois dias de reuniões, assembléias e uma série de eventos com a Outra Tijuana e a Outra Campanha no Outro Lado, o Subcomandante Insurgente Marcos explicou com mais detalhes como será a Outra Campanha depois da atual jornada pelos confins do país, em 30 de Novembro, na Cidade do México.


As pulverizador-pinturas de Marcos as palavras ' Kapital são perigosas a sua saúde ' fora do theatre de MultiKultii
Foto: D.R. 2006 Simon Fitzgerald
No Teatro MultiKulti do centro de Tijuana, Marcos declarou que sua viagem ao redor do país teve como intuito fazer um primeiro contato com os aderentes da Outra Campanha, "para ver quem está se aproximando para aparecer na foto e quem está realmente trabalhando nas suas comunidades". Depois dele, delegações mais numerosas de comandantes indígenas - com ao menos um homem e uma mulher do Comitê Clandestino Revolucionário Indígena - se espalharão pelos quatro cantos do país. Cada uma destas delegações se moveria por apenas uma região do México, encontrando-se com aderentes para ter conversas privadas, "com mais tempo e sem as pressões" da volta atual, a qual percorreu quatro estados em menos de duas semanas desde seu reinício, aos 8 de Outubro.

A primeira parte do trabalho que Marcos solicitou que seja feito pelos indivíduos e organizações aderentes é definir quais aspectos da luta pensam que são essenciais para a Outra Campanha. Marcos deu o exemplo: "se é tolerada a violência ou marginalização das mulheres, ou se não se respeitam as diferenças de sexualidade, como o homossexualismo, então eu estou fora da Outra Campanha,".

Os comandantes e comandantas também se assegurariam de que os indivíduos e organizações aderentes em cada parte do país saíssem e viajassem aos segmentos mais marginalizados da população, para conversar com as pessoas que pudessem estar interessadas no movimento a-eleitoral e anti-capitalista, mas que não dispõem de recursos para assistir às assembléias ou para acessar a internet. Os comandantes e os aderentes trabalhariam nestas comunidades para criar um plano nacional de luta desde a perspectiva de cada comunidade. Por exemplo: "o plano nacional de luta para os trabalhadores camponeses indígenas do Vale de San Quintín será diferente do plano nacional de luta para as trabalhadoras maquiadoras em Tijuana", ainda que eles estejam no mesmo estado de Baixa Califórnia.

Ao expor os deveres dos comandantes como delegados da Outra Campanha e os dos aderentes, Marcos especificou como a Outra Campanha espera levar a cabo "uma nova forma de fazer política". Além disso, ao utilizar a estrutura militar do EZLN para viabilizar a organização das comunidades a todo o largo do território nacional, os zapatistas estão provocando a definição de um "Exército de Liberação Nacional".

Este processo também será de longo prazo, para que possam ir e vir muitas campanhas eleitorais diferentes. Ilustrando este ponto, Marcos também ofereceu algumas chaves sobre como se internacionalizaria a Outra Campanha. "Se houvéssemos dito há dez anos que viajaríamos por todas as partes, até os menores cantos do México, as pessoas teriam dito: 'Vocês estão loucos!' Talvez eu sonhe como louco agora, mas digo aqui que viajaremos por todas partes dos Estados Unidos e Canadá para falar com os companheiros mexicano de lá".

Fica em aberto ver se um movimento na América do Norte estará pronto dentro de um ano ou daqui a dez anos a partir de agora, para receber aos zapatistas ou para mudar o continente, desde abaixo e à esquerda.



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