<i>"The Name of Our Country is América" - Simon Bolivar</i> The Narco News Bulletin<br><small>Reporting on the War on Drugs and Democracy from Latin America
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Um Dom do México

História de vida do jornalista responsável pelos grandes furos da imprensa mexicana


Por Adriana Veloso
Bolsista da Escola de Jornalismo Autêntico do Narco News

18 de fevereiro 2003

No topo da mesa, todo de preto, ele é recebido pelo anfitrião de forma festiva. Dom… É assim que lhe chamam. O homem é um leão, explica o promotor do encontro. Lutador de boxe, família de jornalistas, líder carismático, respeitado na capital de Yucatán, Mérida, e conhecido em todo país. Foi torturado, viveu no exílio e reportou a realidade à sua comunidade durante boa parte dos setenta anos da ditadura democrática do Partido Revolucinonário Institucional (PRI).

Dom Mário Menendez tinha 21 anos quando seu avô, dono do Diário de Yucatán, nomeou-lhe um dos editores do jornal. Começou assim uma carreira que depois o levaria a ser o primeiro estrangeiro a entrevistar Fidel Castro após a revolução em Cuba, onde, aliás, também esteve exilado por dez anos. Depois de ter feito o que sempre gostou de fazer, jornalismo.

Recém saído da revista Sucessos e fazendo a revista Por Que?, o jovem Mário estava na Cidade do México durante o trágico episódio da Praça Três Culturas, em 1968, quando foram assassinadas mais de trezentas pessoas, quase todos jovens. A revista Por Que?, contrariando todos os interesses do governo, em edição extra, publicava as fotos do massacre acompanhado de um relato in loco de Mário Renato Menéndez Rodríguez, que utilizou de toda sua influência e tradição familiar na imprensa mexicana para conseguir imprimir um milhão de exemplares de Por Que?.

A partir de então a polícia começou a persegui-lo. Teve de viver por quase dois anos, fugindo, nas comunidades do sul do México onde ensinaram-lhe maya e protegeram-lhe. Mas, Mário acabou sendo preso, em 1970, e perdeu a cidadania mexicana depois que conseguiu ser trocado pelo diretor da Coca Cola na América Latina, junto com outros 39 presos políticos. Foi nesse tempo que acabou conhecendo Cuba e sua atual esposa, Alícia.

Suas viajens na América Central haviam começado alguns anos antes. Em 1967, Gustavo Días, então presidente do México, chamou os principais jornalistas do país para uma viajem à América Central. Na Guatemala, após cumprida a agenda oficial, os jornalistas foram convidados a ver outro lado do país, a guerrilla nas montanhas. O jovem Mário foi o único que aceitou. Fotografou execuções de paramilitares e contou como estava sendo duramente reprimido o movimento guerrilheiro e a comunidade que o protegia. Essa matéria chamou a atenção de Fidel, que quis saber quem era o jornalista que a havia realizado. Foi aí que Mário conseguiu fazer a entrevistar Fidel Castro.


Mario Renato Menendez com Fidel Castro
Photo D.R. Adriana Veloso

Vivendo em Cuba, Mário Menendez desenvolveu sua carreira acadêmica com uma pós-graduação em Filosofia. Esteve afastado da atividade jornalística durante esse tempo. Até, que dez anos depois, Lopez Pontillo, presidente do México, queria ir a Cuba, mas lá vivia o último exilado político do país. Mário Renato Menendez Rodrigues exigiu três coisas: seus direitos como cidadão mexicano de volta, poder praticar do jornalismo livremente e a restituição dos danos que o governo havia feito à revista Por Que. Pontillo não aceitou, Por Que não podia voltar. De qualquer forma, Mário, com correção monetária da época, recebeu 107 dólares por ter perdido sua publicação. Não era nada, mas o governo reconhecera de que havia feito um dano à ele e à liberdade de imprensa.

Voltou para a peninsula de Yucatán em 1981 e fundou Por Esto!, um trocadilho com o antigo nome Por Que, que deixou Lopez Pontillo furioso. De sua experiência de vida aprendeu que um jornalista deve servir à sua comunidade, nada mais que isso. Nos primeiros anos de volta ao México sua família morou no topo da construção onde funcionava a redação do Por Esto!.

Hoje já é Dom Mário, homem respeitável e que nas palavras de sua esposa Alícia, continua arriscando-se para contar a verdade no diário Por Esto!. (Esta reportagem terá sua segunda parte, contando a história de Por Esto! publicada em breve.)

Full Disclosure: The author wishes to acknowledge the material assistance, encouragement, and guidance, of The Narco News Bulletin, The Narco News School of Authentic Journalism, publisher Al Giordano and the rest of the faculty, and of the Tides Foundation. Narco News is a co-sponsor and funder of the international drug legalization summit, “OUT FROM THE SHADOWS: Ending Prohibition in the 21st Century,” in Mérida, Yucatán, and is wholly responsible for the School of Authentic Journalism whose philosophy and methodology were employed in the creation of this report. The writing, the opinions expressed, and the conclusions reached, if any, are solely those of the author.

Apertura total: El autor desea reconocer la asistencia material, el ánimo y la guía de The Narco News Bulletin, La Escuela de Narco News de Periodismo Auténtico, su Director General Al Giordano y el resto del profesorado, y de la Fundación Tides. Narco News es copatrocinador y financiador del encuentro internacional sobre legalización de las drogas “Saliendo de las sombras: terminando con la prohibición a las drogas en el siglo XXI” en Mérida, Yucatán, y es completamente responsable por la Escuela de Periodismo Auténtico, cuya filosofía y metodología fueron empleadas en la elaboración de esta nota. La escritura, las opiniones expresadas y las conclusiones alcanzadas, si las hay, son de exclusiva responsabilidad del autor

Abertura Total: O autor deseja reconhecer o material de apoio, o propósito e o guia do Boletim Narco News. a Escola de Jornalismo Autêntico, o editor Al Giordano, o restante de professores e a Fundaçáo Tides. Narco News é co-patrocinador e financiador do encontro sobre a legalizaçao das drogas Saindo das Sombras: terminando com a proibiçao das drogas no século XXI em Mérida, Yucatan, e é completamente responsável pela Escola de Jornalismo Autêntico, cuja filosofia e metodologia foram implantadas na elaboraçao desta reportagem. O texto, as opinioes expressadas e as conclusoes alcançadas, se houver, sao de responsabilidade do autor.

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