<i>"The Name of Our Country is América" - Simon Bolivar</i> The Narco News Bulletin<br><small>Reporting on the War on Drugs and Democracy from Latin America
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Narco News Issue #28
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As Massas contra a Mídia

De Maio de 1968 em Paris… à Abril de 2002 em Caracas… até o Presente imMidiático


Por Al Giordano

24 de março 2003

Boa Noite, São Paulo, e obrigado às pessoas legais do Mídia Tática: Muito obrigado pela oportunidade de me emprestar esse microfone e falar com artistas e trabalhadores tão criativos que possuem a mesma paixão do Narco News pela Mídia Tática.

O título dessa palestra, As Massas contra a Mídia: De maio de 1968 em Paris…a Abril de 2002 em Caracas… até o Presente ImMidiático, implica que vou falar em uma linha histórica que começa em 1968 em Paris e que vem até o presente. Alguns de vocês já devem ter lido a tradução, em português, do livro de Raoul Vaneigem “The Revolução of Everyday Life”, que foi traduzido com o título de “A arte de viver para as novas gerações”. É um livro situacionista, um livro importante de um revolucionário que utilizou a mídia tática no que foi chamado de “escrita coerente” tornando-se central para as ações massivas de 1968 na França. Esse é um livro maravilhosamente perigoso. Quando li esse livro me demiti do trabalho de repórter político em Boston e deixei os Estados Unidos. É um livro que causa uma “fuga da prisão”.


Adriana Veloso, nova Diretora de Estratégias do Narco News
Photo D.R. Jeremy Bigwood, 2003
“Poesia muitas vezes ocorrem em poemas,” escreveu Vaneigem. “Poesia somete ocorre quando as palavras causam ação!” Com essa afirmativa ele tornou-se um grande poeta.

Antes que continuemos com essa fuga da prisão, quero oferecer uma homenagem global ao revolucionário artista carioca, Latuff. Somos amigos virtuais por muitos anos em muitos esforços de solidariedade Zapatista. No México, onde passei grande parte dos últimos sete anos, o Latuff é adorado por seu trabalho. Ele me ajudou em minhas batalhas legais quando fui processado pelo Citibank-Banamex, e tentei ajudá-lo em suas batalhas contra todos os tipos de censores, mas somente o conheci, cara a cara, aqui no Mídia Tática.

Também um grande reconhecimento à meus colegas brasileiros que estiveram presentes na Escola de Jornalismo Autêntico do Narco News que estão aqui conosco hoje a noite: nossas bolsitas – agora já graduadas – Ana Luiza Cernov daqui de São Paulo e a Karine Melissa Muller do Rio de Janeiro. Karine escreverá sobre essa palestra de hoje a noite para o Narco News. Se você quiser fazer algum comentário ou crítica sobre o que falarei aqui hoje, procure a Karine após a palestra, porque no Narco News também queremos que sua voz seja ouvida. De Belo Horizonte, temos aqui outra estudante que se formou, Adriana Veloso, a “Dri” do IndyMídia. Na verdade foi ela que me convidou para vir pra cá. Ela está aqui no palco comigo, traduzindo minhas palavras à vocês. Alguns já escutaram – o segredo está correndo as ruas – que Veloso é a mais nova membra do time do Narco News, nossa Diretora Internacional de Estratégias. Ela já está trabalhando faz algumas semanas e estou muito feliz com suas colaborações. Ela é uma grande estrategista e uma revolucionária de coração. Também está aqui presente esta noite um de nossos professores da Escola de Jornalismo Autêntico, Renato Rovai, de Santos, editor da revista Fórum. Estivemos todos juntos mês passado na península de Yucatán, no México, com 26 estudantes e 26 professores, trazendo a renascença do Jornalismo Autêntico, no que Kropotkin chamou de mutualismo, e acho que não podemos pensar sobre isso separadamente.

A revolução não é sobre organizações. Não é sobre livros ou governos. Não é sobre dogmas ou karma. A revolução é sobre somente uma coisa: a revolução é sobre as pessoas, sobre seres humanos.

Esses seis autênticos já sabem o que vou falar. Qualquer um deles poderia provavelmente falar isso melhor que eu. Achei que se mencionasse maio de 1968

Ana Cernov
Foto D.R. Al Giordano 2003
em Paris no título de minha palestra, seria mais fácil conseguir a atenção de vocês. Mas isso é uma coisa muito “gringa”, vocês não acham? Nós jornalistas gringos somos tão arrogantes que podemos falar sem parar sobre um acontecimento que nem mesmo testemunhamos. 1968? Paris? Estaria você supreso se ouvisse que não estava lá? Espero que você não olhe para mim e pense “Olhe aquele fóssil, ele é tão velho que deve ter estado lá!” Debaixo do asfalto… Giordano! Ahem. Tinha oito anos de idade em 1968, o que pode me fazer jurássico, mas por favor, não pré-jurássico.

Sou um repórter, um jornalista, mas tento 24 horas por dia ser um Jornalista Autêntico. Isso significa, entre outras coisas, buscar a fonte, a testemunha ocular de uma história, não simplesmente acreditar no que leio ou simplesmente repetir o que outros jornalistas disserem à respeito de tal fato. E ainda que tenha lido tudo que existe em espanhol e inglês sobre maio de 1968 e a Internacional Situationista, incluindo todos os textos originais dos IS, entrevistei somente uma pessoa que de fato esteve lá, presente, em Paris em Maio de 1968: minha boa amiga de Nova Iorque, Judith Malina, do Living Theater.

Como disse Félix Guattari a Charles V. Stivale numa entrevista em 1985:

“(Há) uma América em potencial, uma América do nomadismo… Estava pensando em Julian Beck, em Judith Molina… do Living Theater. Somente porque eles foram completamente marginalizados não há razão alguma para ignorar sua existência. Ainda assim eles existem.”

Posso confirmar que a Judith Malina ainda existe. E isso foi o que a grande revolucionária Judith Malina me falou sobre maio de 1968.

Ela e Julian Beck, que faleceu, mas permanece imortal, e outros membros do Living Theater estavam em Paris, em exílio dos Estados Unidos, durante aquela primavera Françesa de 1968. Guattari chamou-os parte do “Nomadismo Americano,” um termo com o qual posso relacionar. Na noite do dia 10 de Maio, bloqueios foram levantados em muitas das ruas de Paris e em outras partes da França. Tensões haviam explodido nos campos universitários. E todos esses artistas radicais, Judith, Julian e seus amigos, claro que queriam participar. “E então, o que fazemos?” perguntaram-se. “Somos atores, dramaturgos, se a revolução está aqui, então qual é nosso papel na revolução?”

Foram eles para a sede da prefeitura? Foram eles para a tomada da Bastilha? Foram os atores, atrizes, dramaturgos, figurinistas, compositores, iluminadores para a sede do governo quando pressentiram que a revolução havia chegado? Não!

Os atores marcharam para o prestigiado Teatro Odéon, casa da Comédie Française. Na tomada do Odéon, eles penduraram banners nos balcãos, dançaram, cantaram, tomaram o palco, os assentos, as luzes, as curtinas. Eles ocuparam o teatro. Durante todo o dia e toda a noite tiveram discussões – chamaram esse ato de teatro de “parlamento das pessoas” – e conversaram alí, no teatro liberado, uns com os outros, sobre utopia, sobre a vida cotidiana. Mais tarde Julian chamaria essa peça de “Paradise Now.” (Paraíso Agora)


Karine Muller
Foto D.R. 2003 Al Giordano
Em algum ponto durante aqueles dias em Maio o diretor do Teatro Odéon veio ao palco e falou com todos os ocupantes. Não me lembro de quantos anos Judith falou que ele trabalhava para o teatro, mas sem dúvida eram muitos. E ele disse para todos aqueles loucos atores e atrizes “Fui o diretor desse teatro por muito tempo. Vi vários grandes atos sendo encenados nesse palco. Mas nunca havia testemunhado um ato teatral tão poderoso como esse que estou presenciando agora.

Ao fazer isso, o diretor do teatro, claro, deixou de ser o diretor e passou a ser parte da peça.

Mais tarde, quando veio a repressão, quando a rebelião havia acabado, aquele diretor foi despedido pelos chefes do Odéon.

Aquilo foi somente uma parte do que ocorreu em Maio de 68 na França. Atores ocuparam o teatro nacional. Trabalhadores ocuparam fábricas. Estudantes ocuparam univesridades. E então veio a repressão.

Guy Debord da Internacional Situationista, a IS, disse posteriormente que os eventos de Maio de 1968 na França não foram uma “greve geral”, assim como alguns haviam definido, mas sim, uma greve espontânea (iniciada pelos trabalhadores e não sindicalistas).” É verdade que muitos setores de trabalhadores participaram, a partir do dia 14 de Maio, três dias de conflito significante, quando os trabalhadores da aviação tornaram-se os primeiros a entrar em greve e as ações massivas espalharam-se como fogo pela classe trabalhadora. Essa não foi uma greve chamada pelos líderes sindicais. Transformou-se, muitas vezes, uma greve tanto contra os burocratas dos sindicatos como contra os donos do negócio, e contra os líderes de partidos políticos, e contra a os líderes da igreja, e contra os chefões do governo… contra todo tipo de hierarquia e sistemas de dominação.

Debord e a IS, de acordo com muitos dos livros e histórias, estiveram obcecados com uma coisa durante aqueles dias, eventos pelos quais suas ações prévias foram enormemente responsáveis: Como converter aquele momento revolucionário no primeiro passo para a criação de Conselhos de Trabalhadores. Por Conselhos de Trabalhadores eles referiam-se à conselhos de trabalhadores descentralizados e autônomos, em cada local de trabalho, para tomar controle dos meios de produção, não por meio de um aparato do Estado, nem por meio de um aparato de um partido político, nem por meio de uma aparato sindical tradicional que barganha com os chefes, mas sim como meio de auto gestão. Seu slogan era: “TODO PODER AOS CONSELHOS DE TRABALHADORES!”

Raoul Vaneigem, autor do acima mencionado A arte de viver para as novas gerações, era um membro da IS. Ele foi um escritor brilhante que popularizou as idéias de Debord contra o capitalismo espetacular. Ele tembém teve suas próprias idéias para popularizar. Vaneigem teve – e de fato ainda tem, como Judith Malina ele ainda existe! – um forte senso reichiano sobre a importância do princípio do prazer. Nesse sentido, seu trabalho seminal era mais próximo e sedutor para a juventude que o pesado discurso Hegeliano de Debord, que, como dizemos no México, pode ser às vezes pesado. Quando a revolta de Maio de 68 explodiu, Vaneigem foi imMídiaticamente para Nantes, a grande universidade Francesa onde o conflito havia começado, especificamente com o objetivo de fazer com que os estudantes em greve – eles haviam ocupado sua universidade – apoiassem os trabalhadores, as Masssas, para judar a pressionar a formação dos Conselhos de Trabalhadores.

Há versões conflituosas do que aconteceu, mas no final, aqui traço uma linha: Não aconteceu. A revolução, quero dizer, não chegou na França ou em nenhum país do dito mundo desenvolvido.

Houve um momento revolucionário em Maio e Junho de 1968 em Paris e em muitos outro lugares. Isso serve como um farol. Serve como um farol para guiar-nos nesse mar da vida. Mas houve, no final, nada de revolução na França em 1968.

Muita história revolucionária sobre o que não aconteceu.

A mesma coisa não aconteceu com o movimento estudantil dos anos 60 nos Estados Unidos. Sei mais sobre esses eventos do que sobre 1968 em Paris porque cresci em Nova Iorque com toda essa história a minha volta. Tive a sorte de colaborar durante os anos com muitas das principaís pessoas envolvidas com os Beats, com o Movimento de Direitos Civis, com a Fábrica de Warhol, com Stonewall, com os Yippies, com os SDS, com Weathermen, com os Panteras Negras, com os Panteras Brancas, Com a União dos Trabalhadores do Campo, com os grupos anti nuclerares dos anos 70… Houve – porque cresci não nos anos sessenta, mas sim, nos anos setenta, – outras histórias que vivi mais diretamente: a explosão punk de 1975 em Nova Iorque, e o movimento anti nuclear em meu próprio país em meados dos anos 70, quando tornnei-me um participante, não mais um mero espectador, das lutas sociais, dos “gestos mais radicais,” e alguns precisos momentos revolucionários que serviram, um quarto de século depois, como meus faróis para navegar por este mundo.

Greil Marcus, em Traços de Batom: A História secreta do século 20, descreve o impacto de momentos revoluciononários nos veteranos, quando fala dos participantes do movimento dadaísta no Cabaret Voltaire:

“Para o resto de suas vidas, eles voltaram vezes e mais vezes no bar em Zurique. Eles tentaram entender o que lhes havia acontecido. Eles nunca conseguiram superar aquilo.”

Sempre foi um pouco triste para mim ver os veteranos da contracultura dos anos 60 tão absorvidos com o que aconteceu décadas antes daquilo, perdidos no passado, eles nunca puderam estar presentes de novo. É ainda mais triste ver pessoas da minha idade e ainda mais jovens que parecem nostágicos por eras em que nem mesmo estivemos presentes. “Nostalgia é outra forma de depressão,” disse- me Abbie Hoffman quando tinha 20 anos. Ele disse que seu professor em Brandeis, Abe Maslow, havia-lhe dito o mesmo quando ele tinha 20 anos. Se algum de vocês tem 20 anos, deixe-me repetir: “Nostalgia é outra forma de despressão.” Perca isso. O passado pertence à outra pessoa.

A única coisa que nos pertence, aqui e agora, é o Presente ImMídiatico…

E porque é assim- devo perguntar-lhes – porque as pessoas são especificamente nostágicas pelas derrotas? Os anos 60 foram uma derrota. Repito: os movimentos rebeldes dos anos 60 no assim chamado primeiro mundo foram todos derrotados! Meu país – basta olhar para as manchetes dos jornais hoje – eles não aprendeu as assim chamadas “lições do Vietnam”. Se você acha que Washington está repetindo esses mesmo erros no Iraque, espere para ver quando o Plano Colômbia ganhar mais força, lá o terreno da selva parece-se muito mais com o sudoeste asiático. Dos Estados Unidos à França nos anos 60, no assim chamdo mundo desenvolvido, os estudantes que tiveram uma chance histórica de aliar-se com os trabalhadores provaram estar tão abosorvidos neles mesmos, inclusive os movimentos mais radicais. Eles acharam que – e Mídia e as Universidades encorajaram esse erro – que aquele momento histórico era sobre eles. Pessoas que vão à universidade tendem à fazer isso. Eles são programados para fazer isso. Não sabem como parar de sugar a fórmula da mamadeira de bebês. Esse é o papel do sistema univesitário: manter-lhes todos infantilizados, num estado permanente de imaturidade e dependência. A universidáde é o intermediário, um mediador; é uma fábrica de lavagem cerebral. Esse é seu trabalho. É por isso que os capitalistas investem tanto nas universidades no primeiro mundo. É por isso que o FMI e a ALCA querem privatizar as suas universidadess públicas; A universidade capitalista é parte do controle da sociedade. É muito lucrativo apra todos eles mantê-los os educadamente dóceis e estúpidos.

Os famosos rebeldes estudantes de1960 não sacaram isso, por isso muitos deles tornaram-se yuppies e operadores de bolsa: Nenhuma revolução tem sucesso sem as Masssas. As Massas não vão para as universidades. As Masssas, com algumas excessões, jamis têm a chance de ir à universidade. Estudantes, na universidade, são ensinados que eles, os “educados”, são os que ensinam às Masssas. Que grande besteira! As Masssas são os professores do mundo! Quem faz história quando a história é feita? As Masssas! O revolucionário é um estudante das Masssas, ou então não é revolucionário de forma aguma.

E quem são as Masssas? Aqui uma grande dica: As Masssas não são estudadas nos livros. Colocado de forma simples, as Masssas são os pobres e os trabalhadores. Nada mais que isso precisa ser explicado. Você não tem que ler Karl Marx para entender esse ponto (ainda que possa ajudar) nem as Masssas. Num mundo em que o ter é minoria e o não-ter é maioria, “as Masssas” são o não-ter.

Coloco uma ênfase especial na palavra “maioria”. Faz com aqueles que falam de Democracia sigam suas próprias regras. Eles realmente odeiam quando fazemos isso com eles.

E o que isso tem a ver com Mídia Tática? Acho que muitos de vocês já sabem. Vocês provavelmente sabem mlhor do que eu. Mas te falarei um pouco sobre o que penso, assim vocês podem ensinar-me mlhor.

Noite passada conversei com uma cara bem legal, o Hernani Dimantas, do Projeto Metáfora, e após tentar nos comunicar em Português e inglês, ficamos com o espanhol. Ele falou-me de grandes planos de levar computadores e a tecnologia da internet para as Masssas. Discuti com ele que a enfâse era contrária. Mais importante que levar a tecnologia às Masssas – o que me cheira um pouco a caridade o que pode perigosamente levar a condensação de um pensamento e ação colonial – é meu ponto de vista que as Masssas devem ter de volta o controle da tecnologia. Não quero levar a tecnologia para as Masssas. Quero seguir as Masssas para recontruir a tecnologia. Esse ponto pode parecer uma pequeno problema de semântica mas acho que faz toda a diferença do mundo.

Sou um ludita não muito comum; um dos primeiros a lutar pela liberdade de imprensa na Internet que odeia a Internet! Trabalho na Internet. Desconfio da Internet. A Internet é um mundo de vigilância total. Sou o editor chefe de um jornal online tri-lingue que receber dois milhões de visitas por mês: narconews.com (é um pontocom ainda que não seja comercial, e não um pontoorg como está no programa do Mídia Tática; o Narco News não é uma “organização”, operamos mais sobre o conceito de Deleuze e Guattari; “máquina de guerra fora do Estado”).

Convido-lhes a visitar o Narconews.com na Internet – agora públicamos em português também, em adição ao inglês e ao espanhol – e a participar nessa máquina de guerra; a participar nessa guerra, porque estamos em guerra, um tipo de guerra civil internacional, um conflito armado – armado com computadores, câmeras, papel e caneta e armas parecidas – para tomar de volta o jornalismo das mão de tiranias enconômicas que roubaram e destruíram o jornalismo de nossas vidas; algumas pessoas chamam isso de revolução. Narco News não é um brinquedinho tech. Não é um esquema para fazer dinheiro. Estamos em guerra.

Nossa premissa central para o revolucinário imMídiatico do aqui, agora é esse:

A Mídia transformou-se no Estado.

Repito: o Estado já não pode ser mal explicado ou mal entendido como simplesmente sendo o governo. O Novo Estado é muito maior que qualquer governo, mais poderoso que todos os governos juntos. O Estado, em 2003, é uma máuina global que reproduz empreitadas capitalistas. Esse Novo Estado tem uma forca policial, um exército, que faz o trabalho sujo de colonizar corações e mentes das pessoas: Esse policial é Mídia.

A Mídia suplantou os antigos sistemas de controle para formar uma nova tirania sobre nós.

Por isso, acredito, a revolução é necessária para colocar esse Novo Estado abaixo: A revolução contra a Mídia. Não é suficiente “Ser a mídia”, como diz Jello Biafra. Não é suficiente “criticar a Mídia”, ainda que seja um passo adiante. Temos que retomar a Mídia. Temos que destruir a Mídia. Temos que invadir e colapsar esse poder ilusório. Temos que queimar o poder ilusório da Mídia e tornar impossível que para esse Novo Estado possa novamente concentrar o poder da Mídia em tão poucas mãos.

Hoje marca a públicação em Português de meu trabalho de 1997, A Mídia é o Intermediário: por uma Revolução contra a Mídia, com novas notas de rodapé que escrevi ano passado após os históricos eventos da Venezuela que me fizeram reviver o sonho daquele texto. Há cópias aqui, o que é “um presente, não uma troca,” como disse Vaneigem … o texto é de graça porque se vocês trabalham com a Mídia, se vocês são qualquer outro tipo de trabalhadores, vocês já pagaram o suficiente.

Admito que esse livro foi mais popular em espanhol do que em inglês. Na América do Norte esse foi um texto odiado. Palavras têm suas consequências. Esse pequeno livro destruiu minha carreira jornalística, fez com que editores que costumavam públicar meus artigos cruzarem a rua quando me vinham vindo em sua direção, fez com que parassem de receber minhas ligações… e ainda bem que isso aconteceu porque se não fosse isso jamais acabaria cruzando a fronteira da América – com acento – como fiz há sete anos.

Nós que somos revolucionários temos que pensar com atenção sobre essa situação nos confronta. Porque? Para que possamos fazer a revolução.

O Estado costumava ser definido como a parte da sociedade conhecida como governo. Mas em minha vida, um poder ainda maior formou-se sobre o Estado, sobre todos os governos. Algumas pessoas chamam esse processo de “globalização”. Entretanto, acho que é uma palavra muito simples para o que estou tentando descrever aqui, e ao mesmo tempo não é suficientemente simples. Há uma palavra mais clara para esse tirano, uma palavra facilmente compreendida pelas Masssas em todos os países: a palavra que utilizo é Mídia.

O Estado sempre foi, através da história da humanidade, um tirano, um abusivo. A tirania está no código genético de todos os governos. Governos existem para exercer poder sobre as pessoas, ainda que dizem exisitir para dar poder às pessoas. Sou um anarquista, o que significa que não quero ou aceito o Estado sobre mim. Sou um anarco-sindicalista, o que é uma forma chique de dizer que sou um anarquista que acredita nos Conselhos de Trabalhadores, que o anarquismo só é possivel quando os trabalhadores controlam os meios de produção desde abaixo. Anarquismo, para mim, não é sobre punk rock, tatuagens e piercings, ainda que goste de tudo isso. Anarquismo, para mim, não é sobre o que gosto. Certamente não é sobre moda, arte o estética.

Anarquismo é sobre o que não gosto. Anarquismo é, para mim, sobre uma coisa: uma negação. O que não gosto são que pessoas ou coisas tenham poder sobre mim, que não fui eu que dei e que não posso tirar quando bem entender.

Mas deixe-me ser bastante claro aqui, porque até mesmo muitos anarquistas entendem mal esse conceito, eles transformam-se em fundamentalistas, e tornam-se aversos à “máquina de guerra fora do Estado” que Deleuze e Guattari identificaram, que Marcos e os Zapatistas reinventaram, e que, como estou para explicar-lhes, ao menos um Governo em nosso hemisfério começou a redefinir!

Como um anarquista, nem sempre me importo que você tenha poder sobre mim. Meus colaboradores aqui presentes vão rir agora porque uma das coisas mais comuns que digo diariamente quando perguntam-me coisas como “o que vamos fazer Al? E respondo, “Lidere, por favor, liderença!” A pergunta é: te dou esse poder sobre mim de livre e espontânea vontade? Ou você o toma de mim?

Por exemplo, dei mais poder aos meus estudantes da Escola de Jornalismo Autêntico sobre mim do que tirei deles. Nao me importo em fazer assim: Aprendo mais dessa forma. Torno-me o estudante. Mas ninguém é deus e ninguém é o diabo para ser o filho da puta de tentar tirar poder de mim. – ou meus estudantes, ou meus colegas professores – por força ou manipulação. Vá e frente. Tente. Meus estudantes te darão um chute na bunda antes mesmo que eu tenha a chance de me mover. Eles estão treinados nessa arte marcial.

O Governo, claro, ainda é uma criatura que incomoda. O que? Ninguém tem nenhum baseado para compartilhar comigo nesse palco hoje a noite? Entendem? O Governo é uma merda. O que? O tabaco é proibido nesse auditório? Ah, isso só faz com que tenha um gostinho melhor! Você se importa se eu fumar? Você se importa com o que faço? Caso sim, a seção de não fumantes é la fora na Avenida Paulista!

No Narco News somos a favor da legalização das drogas. Nosso jornalismo tem uma proposta esplícita: expor a hipocrisia e os danos da chamada Guerra das Drogas imposta por Washington e Wall Street no resto do hemisfério e no mundo. Essa tarefa, reportar sobre a Guerra das Drogas na América Latina, rapidamente fez com que nos virássemos para outras questões: reportar sobre a guerra das drogas e a democracia na América Latina. E isso rapidamente nos forçou a pegar ainda outra tarefa: reportar sobre a guerra das drogas, a Mídia, e a democracia em nossa América. Drogas, Mídia, Democracia… você não pode deixar esses conceitos separados. Uma vez que a Mídia é a mais poderosa droga de todas, a mais viciante do planeta.

Narco News entrou numa trilha esquecida da proibição de drogas e rapidamente encontrou uma fábrica de golpes de estados, contra golpes, “democracia” falsas e simuladas, e o controle da Mídia Comercial, vindo abaixo. Ainda estamos essa. Convido-lhes para juntar-se a nós.

No ano de 2000, o Banco Nacional do México processou o Narco News, o Jornalista Autêntico mexicano Mario Menendez, e eu em minha cidade natal Nova Iorque. Lutamos com unhas e dentes, foi uma luta muito difícil – foi uma guerra! – e ganhamos. Derrotamos os bilhonários narco-banqueiros. Em dezembro de 2001, a Corte Suprema de Nova Iorque deu ordens para que os narco-banqueiros se fossem, que nos deixassem em paz, e estabaleceu dois precedentes nas leis dos Estados Unidos: Que grandes poderes econômicos já não mais podiam processar jornalistas de outros países tão facilmente nos Estados Unidos, e que jornalistas da Internet agora tinham as mesmas proteções de liberdade de imprensa na constituição norte Américana como o corrupto New York Times ou qualquer outro da Mídia comercial. Essa decisão acabou com o monopólio da imprensa paga sobre a liberdade de expressão.

Bom, tudo bem. Direitos podem ser algo bom se, somente se, os utilizamos. Logo tivemos um teste em Abril de 2002.

Lembro-me de estar diante da tela de meu computador na tarde do dia 11 de Abril de 2002, em algum lugar desse país chamado América. Porque sempre digo isso? Simón Bolívar, o grande liberador da Venezuela, Colômbia, de outras terras da conquista espanhola, disse, “Nuestra Patria se llama América!” Realmente fico puto quando meus conterrâneos gringos se auto denominam américanos, como se o mexicano, o venezuelano, o bolíviano, o colômbiano, o brasileiro, os américanos e américanas são de uma forma ou de outra menos américanos. Mas veja você, venho de um país de pessoas loucas e egoístas que não sabem de nada. O Governo de lá, e especialmente a Mídia de lá, lhes diz que eles são os américanos. Até os canadenses ficam putos com isso, os europeus riem dos Estados Unidos por causa disso, e com razão.

Na noite de 11 de Abril de 2002, uma notícia sobre o presidente eleito da Venezuela Hugo Chávez Frías veio atirando sobre toda a internet. Dizia: “Chávez Renuncia.”

Isso não fazia sentido algum. Não acreditei nisso nem por um minuto nova-iorquino, nem por um segundo paulista. Chávez havia ganho seis eleições em somente quatro anos. Ele foi e provavelmente ainda é – com todo o respeito ao Lula – o presidente mais popular de qualquer país da América. Em qualquer caso, em seu momento mais baixo Chávez foi mais autênticamente popular e adorado que George Bush em seu momento mais alto. E Chávez, ao contrário de Bush, não teve que roubar as eleições por meio de uma fraude na Flórida. Então em 11 de Abril de 2002, o que queriam dizer então os simuladores profissionais da Mídia Comercial quando notíciaram “Chávez renuncia”? Foi isso que a Associated Press afirmou. Foi isso que a Reuters afirmou. Foi o que a Dow Jones – o serviço de notícias do Wall Street Journal – afirmou. A Dow Jones deu 11 vezes naquela noite que Chávez estava sobrevoando seu próprio país em um jatinho! Isso foi uma total ficção. A Mídia Comercial, toda ela, mentiu! “Chávez renuncia.” Foi isso que a CNN afirmou. A Folha de São Paulo afirmou “Chávez renunciou!” Até meus amigos do CMI Brasil cairam nessa: “Chávez renunciou!” Todos disseram a mesma coisa, “Chávez Renunciou,” mas nenhum deles mostrou nem uma carta de escrita por Chávez, um discurso, um documento oficial, nada!

Jornalistas Comerciais são hoje jornalistas estão sendo formados em linhas de produção. Se uma pessoa conta uma grande mentira que serve aos poderosos, todo mundo recebe seu ganha-pão repetindo-a. E as mentiras espalham-se pelo mundo antes que a verdade venha a tona.

Então, graças aos jornalistas não-comerciais na Internet, você agora sabe, o mundo agora sabe: Chávez não renunciou no dia 11 de Abril de 2002. Ele foi sequestrado com uma arma apontada para sua cabeça em um golpe de Estado que quase fez com que o relógio voltasse trinta anos em nossa América. Se você lembra o golpe de estado de 1973 no Chile quando o presidente democraticamente eleito Salvador Allende foi assassinado e o General Agusto Pinochet tomou o poder por meio de uma junta militar, então você sabe que sangrento e horrível impacto que isso teve no resto de nossa América, inclusive no Brasil. Mais civis foram mortos naquele 11 de Setembro de 1973, em um estádio em Santiago do que no massacre de 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque. O golpe do Chile trouxe uma longa escura noite de controle colonial por meio de uma ditaduras militares por toda América. Esse era o plano dos poderosos para a Venezuela ano passado.

O plano falhou. Em três dias Chávez voltava para o posto que as pessoas o haviam elegido. Enquanto jornalistas da Internet e o Narco News tiveram um pequeno papel nisso tudo, seria muito estúpido se tivessimos crédito por isso. Nós não fizemos notícias. Simplesmente relatamos os fatos verdadeiros contra todas as mentiras que estavam sendo contadas durante aquelas horas e dias de abril de 2002. Deixa eu te contar quem fez as notícias: as Masssas!

Pessoas como Blanca Eekhout, nossa colega na Escola de Jornalismo Autêntico, junto com milhares de outros – na verdade milhões – de trabalhadores e pessoas pobres fizeram a história naqueles dias de Abril de 2002. Blanca, que esteve conosco mês passado no México, trabalha com a Catia TV, uma estaçao comunitária de TV em Caracas, Venezuela. Catia TV está no ar nos desde os últimos 25 anos. Começou como uma estação de TV pirata, assim como a Rádio Livre de vocês “Pega Eu” que está transmitindo ao vivo esses dias, ou a Rádio Muda de Campinas que está transmitindo nos últimos 12 anos. Quando o golpe aconteceu na Venezuela ano passado, os soldados do golpe fecharam a Catia TV e muitas outras estações comunitárias na Venezuela. Blanca e seus colegas tiveram que esconder seus transmissores. O presidente que eles haviam eleito Chávez, estava preso. O novo ditator Pedro Carmona aboliu o Congresso, a Corte Suprema, a Constituição Bolivariana de 1999, e enviou seus capachos de casa em casa para espancar, matar e prender líderes que não estavam de acordo com sua diradura. Blanca, que tem 32 anos, era uma das pessoas nessa lista.

Mas Blanca Eekhout fugiu? Não, ela e muitas pessoas como ela se juntaram e começaram a tomar de volta sua cidade de Caracas, quarteirão por quarteirão, construção por construção. Um grupo deles foi para a sede da estação pública de TV, o canal 8, que havia estado fora do ar por ordens de Carmona, enquanto todas as estações de TV Comercial repeditamente mentiam “Chávez renunciou.” E somente pelo poder das Masssas das pessoas sobrepondo-se à policia e ao exército, eles tomaram de volta a estação de TV do Estado e começaram a transmitir a verdade: “Não, o presidente não renunciou!”

Eles utilizaram transmissores móveis para passar adiante a palavra. Utilizaram telefones celulares. Utilizaram a Internet. Utilizaram a cada arma de comunicação disponível para levar a verdade às pessoas. Isso causou uma reação em cadeia, trazendo mais pessoas às ruas. As Masssas cercaram a maior base militar de Caracas. A mobilização chegou a um tamanho suficientemente grande que teve até mais poder que os militares! Dentro dos militares, muitos dos soldados – que, como em muitas outras nações, vêm dos pobres – e alguns corajosos oficiais do exército em suas províncias começaram a rebelar- se do golpe militar. A maior base de aviação do país – onde os F-16 ficam; armas capazes de transformar em pó os campos de petróleo que são a fonte de riqueza da Venezuela – então se voltaram contra o golpe. Eles exigiram que seu presidente sequestrado fosse libertado. As Masssas começaram a tomar as construções do Governo, mas isso só pode acontecer depois que as pessoas – pessoas como Blanca; pessoas como VOCÊ – tomaram de volta a estação de TV do Estado e os meios para transmitir a verdade.

E peço-lhes para fazer uma reflexão histórica, caros amigos aqui no Mídia Tatica: A Mídia Comercial ainda fala da dita “queda do muro de Berlim”. Mas a queda do muro foi somente um consequência do que já hvia acontecido. O que fez com que o bloco soviético caísse? As pessoas de países do Bloco Soviético tomaram as estações de TV do Estado antes de tudo. Isso – e não as sedes do governo – era o acento do Poder. Houve cenas incríveis daqueles dias em que as Masssas de pessoas invadiram as estações de TV e começaram a ficar diante da câmera como trabalhadores, estudantes, esposas, pessoas pobres, gente que nunca havia estado num banco de universidade e que nunca havia estado dentro de uma estação de TV. E eles começaram a contar as histórias de suas vidas durante aquele regime para a câmera, ao vivo, no ar, para suas nações.

Aquele momento – quando as estação de TV do Estado caíram nas mãos das Masssas – foi o momento em que o Bloco Soviético caiu. Somente depois o muro de Berlim foi destruído.

Houve um certo karma aqui para os Soviéticos. Afinal de contas, foi Trotsky que, durante a Revolução Russa, disse que era mais importante tomar as linhas de trem e as linhas de comunicação do que as contruções do Governo. Os soldados do regime foram para defender os prédios do Governo e as Masssas tomaram as linhas de trem. Um anarquista ucraniano chamado Nestor Makhno – que como Che, foi um dos grandes guerrilheiros estrategistas militares do século passado – desenvolveu uma Mídia tática não somente para capturar os trens, mas para transformá-los em armas. Por quase 18 meses a Ucrânia foi uma federação anarquista. Bom, todos vocês sabem o que aconteceu: A revolução Soviética voltou-se contra Trotsky. Voltou-se contra Makhno. Ambos morreram no exílio, Makhno em Paris de tuberculose; Trotsky na Cidade do México assassinado. E aquelas traições no início do governo Soviético voltaram para assombrar os Soviéticos décadas depois, quando as Masssas aplicaram a Mídia Tática de Trotsky e Makhno nos meios de comunicação do século 20.

Mas em 1990, o poder não estava localizado nas linhas de trem, mas sim, nas ondas aéreas: não estavam nas estações de TV, nem nas estações de trem, que possuem a chave de comunicação entre as pessoas e entre as regiões. As Masssas não precisaram ser ensinadas ou escoladas sobre isso. As Masssas já sabiam!

Assim como as Masssas na Venezuela já sabiam onde estava sentado o poder: eles tomaram a estação nacional de TV e cercaram as estações de TV Comerciais e as redações dos corruptos jornais diários. Naquele dia, 13 de Abril de 2002, as estações Comerciais de TV pararam de transmitir notícias. Os jornais Comerciais fecharam, não públicaram naquele dia. Claro, eles nunca reportaram notícias autênticas ou fizeram um jornalismo autêntico, para eles o trabalho sempre foi o do jornalismo simulado à serviço dos ricos e poderosos, e não o jornalismo autêntico à serviço da maioria. Mas em 13 de Abril, depois que Blanca e muitos outros tomaram a estação de TV do Estado e utilizaram armas menores como as TV e Rádio Comunitárias, ou como telefones celulares, ou como a Internet, para corrigir uma mentira – que “Chávez renunciou” – quando a verdade veio a tona – que um golpe de estado havia roubado a democracia deles – as estações de TV Comerciais foram reduzidas a desenhos animados e novelas, sem parar, sem nenhuma notícia sequer.

E nenhuma notícia era boa notícia. As Masssas já sabiam das notícias, porque as Masssas fizeram as notícias, e fizeram a história aquele dia. Mais tarde, os donos corruptos das estações de TV Comerciais da Venezuela disseram que eles tiveram que obscurecer sua cobertura porque os assim chamados “jornalistas” – uma palavra que, na imprensa comercial, significa “mentirosos professionais ” – temiam por suas vidas! Sério? De verdade? Sou um Jornalista Autêntico e se a verdade é que os falsos jornalistas temeram por suas vidas digo a eles e à vocês: “que bom!” Criminosos de guerra deveriam temer por suas vidas! Os mercenários que ajudaram a classe dominante a roubar as públicas ondas de rádio e colocá-las a serviço de uma minoria rica contra uma maioria pobre e trabalhadora são criminosos de guerra. Eu cuspo na cara deles. Eles roubaram nossas ondas de rádio e sequestraram nossa democracia.

Estou muito feliz de estar no Brasil. Estou muito feliz em estar com vocês que buscam democratizar a Mídia. O Brasil parece, para mim, ser um país muito otimista esses dias. Posso sentir a energia, principalmente nas pessoas mais jovens, a esperança que está faltando em meu próprio país, Estados Unidos, e na deprimida e recentemente colonizada nação mexicana, e em outras terras. Vocês tem hoje o otimismo que os Venezuelanos tinham no começo de 1998 quanto tiveram de volta seus direitos eleitorias.

Desejo-lhes e ao seu novo presidente, Lula da Silva, toda sorte do mundo. Mas devo dizer para serem cuidadosos. Vocês devem estudar o que aconteceu na Venezuela. Porque existem poderes e forças econômicas em meu país e nesse planeta que mesmo enquanto sorriem e cumprimentam Lula em Davos queriam mesmo reverter essa decisão democrática que vocês tomaram em 27 de outubro de 2002. O único motivo pelo qual eles, hoje, fingem apoiar vocês e seu presidente é porque eles foram pegos tentando acabar com a demoracia venezuelana em abril de 2002. Mas eles continuaram tentando remover Chávez, como podemos ver naquela “greve” que falhou, pois não houve uma greve em dezembro de 2002 na Venezuela. A Mídia Comercial disse a você que houve uma “greve geral” na Venezuela dezembro passado. Mas não foi geral e nem mesmo foi uma greve. Foi um lockout dos ricos contra os trabalhadores. Mas somente os trabalhadores podem fazer uma greve. E somente as Masssas podem fazer história.

Lula e a democracia brasileira sobrevive somente porque Chávez e a democracia venezuelana estão recebendo os golpes do império agora. Se Washington e Wall Street obtivesse sucesso em desmoronar a revolução Bolivariana na Venezuela, onde você acha que eles atacariam em seguida? Eles marchariam diratamente da Venezuela para o Brasil. Esses poderes, se tivessem chance, trariam à vocês de volta aquela ditadura militar para controlar a nona maior economia do mundo. Então, tenham cuidado em seu otimismo de hoje. Estejam alerta.

E se por acaso esses poderes tentarem reverter seu processo democrático, lembrem-se de duas coisas.

A primeira coisa é que o acento do poder já não está mais localizado no palácio do Governo. Está localizado nos grandes transmissores de televisão e em outros meios de comunicação. E estamos aqui na Av. Paulista, uma larga avenida de uma cidade gigante chamada São Paulo. Com a Cidade do México e Nova Iorque é um dos três mais importantes nervos comunicacionais de nossa América. Quando você sair daqui, olhe no topo dos arranha-céis que estão enfileirados na Av. Paulista e o que você verá são as torras de TV. Lá está localizado o assento do poder. Nas noites dos dias 6 e 27 de outubro do ano passado, assim como nas noites do carnaval, essa rua, essa avenida, esteve cheia de milhares de pessoas, trabalhadores, pessoas pobres, as Masssas. Nesses momentos, não havia nenhum exército ou força policial na face da terra capaz de parar as masssas: nem mesmo o narcotráfico no Rio de Janeiro pode parar o Carnaval! Se por ventura chegar o dia em que sua democracia esteja em perigo, as Masssas já sabem para o que fazer: primeiramente tomamos as estações de TV.

A segunda coisa que peço para que vocês pensem à respeito, porque muitos como você, como eu, nos consideramos anarquistas, é isso: O anarquista autêntico precisa desenvolver uma análise profunda da pergunta “O que é o Estado?” O Estado agora é maior que os governos. O Estado tornou-se privatizado e globalizado. Onde está o assento do poder desse Estado? Não está na sede do governo. Não é uma construção em Brasília ou Washington ou Bruxelas. O poder já não mais vem do cano de uma arma. O poder está localizado nos meios de comunicação: as estações de TV, o poder elátrico que provê a energia para que a estação de TV funcione, a linha telefônica e as frequências sem as quais a Internet e a comunicação daquelas estações de TV cessariam de existir, o cabo da TV, os transmissores de rádio, a imprensa: Essas são as armas e as bases militeres do capitalismo global de hoje.

Temo que o poder aprendeu muitas lições de sua derrota ano passado em Caracas. Da próxima vez, o poder pode tentar defender as estações de TV com o exército. O poder pode desligar as linhas de telefone e de internet. Ou pode também desligá-las seletivamente, deixando ligada somente aquela minoria que tem um cartão de crédito. Esteja atento e tenha cuidado.

Se você trabalha com a Mídia, se você trabalha com tecnologia, se você é um jornalista, seja um trabalhador autêntico. O trabalhador autêntico tem solidariedade de classe. O trabalhador autêntico da Mídia está a serviço das Masssas. O Jornalista Autêntico não é um mercenário buscando fama, careira ou sucesso. O Autêntico professor é um estudante das pessoas que fazem a história: as Masssas, as únicas pessoas que fizeram a história e as únicas pessoas que a farão.

O que nos traz de volta à Maio de 1968 em Paris, àquele farol que ilumina todos os esforços revolucionários do assim chamado mundo desenvolvido. Porque olho para essa ótima cidade de São Paulo e vejo uma sociedade tão desenvolvida, ou até mais, do que aquela minha cidade natal Nova Iorque. O que nos traz de volta a história de Judith Malina e Julian Beck do Living Theater. Quando chegou o momento revlucionário, para onde foram os atores e os dramaturgos? Eles tomaram o teatro.

Quando chegar o momento revolucinário, onde estarão os Autênticos Trabalhadores de Mídia e os Autênticos Jornalistas? Marcharemos para nosso teatro: o Forte da Mídia de Massa.

Se você acha que as Masssas são estúpidas e já não estão indo para lá, então você não está prestando atenção, assim como aqueles que nunca imaginaram que as Masssas no Bloco Soviético tomariam as estações de TV do Estado ou as Masssas na Venezuela tomariam as estações de TV do Estado e cercariam as sedes da Mídia comercial. A história do final do século 20, a história do começo de século 21, foi escrita pelas Masssas e foi falada e liberada por meio das ondas aéreas. Os eventos em Caracas em 13 de Abril de 2002 foram mais significantes para a história de nossa espécie do que aqueles de Nova Iorque em 11 de Setembro de 2001. Nós ainda não sabemos a verdadeira história de 11 de Setembro de 2001, e o motivo pelo qual ainda não sabemos é porque vivemos numa ditadura da Mídia. Mas sabemos a verdadeira história de 13 de Abril. Porque aquele foi o dia em que a espinha da ditadura da Mídia foi cortada em duas pelo poder das pessoas, pela massa das Masssas; as pessoas pobres, os trabalhadores, os Jornalistas Autênticos e os Autênticos Trabalhadores de Mídia como a Blanca Eekhout, que nos deram uma nova forma de lutar e de ganhar.

Talvez eu esteja errado. Sou um Gringo um pouco amargo e raivoso que sabe que a democracia de meu próprio país é uma mentira. Sou um desertor do Jornalismo Comercial de meu país que sabe que a “Liberdade de Imprensa ” é um mito, outra mentira perpetuada por uma imprensa imersa em simulações e a serviço dos ricos e poderosos. A única grande ameaça à liberdade de imprensa, à liberdade de expressão, em meu país, e no mundo, não é o governo. É a classe proprietária: os que possuem as torres de TV, as linhas telefônicas, o poder elétrico, o petróleo, os que roubaram as ondas de rádio, nossas ondas aéreas, de nós para poder colonizar nossa cosciência humana e tornar-nos bons consumidores globalizados e escravos da tecnologia e do comércio.

Tudo bem. Já falei muito. Isso é tudo que tenho a dizer por agora. Dividi com vocês alguns de meus pensamentos somente para que vocês venham falar comigo. Não estou aqui para dizer-lhes o que fazer. Estou aqui como um Jornalista Autêntico, para escutar o que você tem a dizer. Vim para o Brasil porque o entusiasmo de vocês nesse momento me inspira. Quero aprender de vocês como trazer esse otimismo para minhas próprias terras, lugares que perederam tudo menos um otimismo falso e imposto num mercado e num Deus chamado tecnologia – porque às vezes quando compartilho esass idéias com trabahadores de Mídia Tática, o olhar em suas faces parece com aquele dos religiosos quando digo que Deus não existe.

A Internet, a TV, o Rádio, a imprensa, os telefones celulares… eles não são Deuses! Eles são sometne meios para o verdadeiro Poder superior de nossas preces. Esse poder superior não está em céu algum, ou nas ondas aéreas, está aqui na terra. Esse poder superior tem um nome: as Masssas. Esse poder superior não é feito de cabos e pixels! Esse poder superior tem dois olhos, duas orelhas, duas mãos, dois pés e um coração. Rápido: Olhe-se no espelho. Você é parte desse poder ou não?

Se você já é parte desse poder superior, e não se considera separado das Masssas, então você sou eu, e eu sou você, quero conhecê-lo e colaborar contigo. Você sabe, e eu sei, quem somos. Nos reconhecemos assim como meu amigo Latuff e eu pudemos nos reconhecer de lados distantes do equador. Posso reocnhecê-lo nos textos de Ricardo Rosas e Marcos Salgado do Rizoma.net. Posso reconhecê-lo no barraco de de sexta feira aqui no Mídia Tática, quando a Tatiana Wells mandou embora os repórteres da TV comecial Globo! Soube, quando ouvi sobre isso, que havia vindo para casa, aqui é minha casa também.

Podemos juntar forças assim como Adriana Veloso, Ana Luiza Cernov, e Karine Muller do Brasil puderam juntar forças com a Blanca Eekhout da Venezuela, com don Mario Menéndez, o pai da renacença do Jornalismo Autêntico da península de Yucatán México, com Luis Gómez, o mexicano em La Paz, Bolívia, o chefe do Bureau Andino do Narco News, com Sunny Angulo do Indymedia de São Francisco, com nosso mais velho professor, don Andres Vasquez de Santiago, de 93, o mais velho do Congresso Nacional Indigena do México, com o Jornalista Autêntico Alex Contreras de Bolívia, com outros da Colômbia, Bolívia, Peru, Argentina, México e muitas outras terras, e até alguns gringos amargos e raivososo qua ainda sonham em fazer o poder viver para sua retórica de democracia e liberdade e que lutariam e morreriam, se necessário, para destruir o falso poder do Novo Estado.

A luta ainda não acabou; apenas começou uma nova …

Companheiros e irmãos Trabalhadores de Mídia e Jornalistas Autênticos:

Todo o poder ao Conselho de Trabalhadores!

A Mídia para as Massas!

Aqui!

Agora!

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